domingo, 29 de março de 2009

Dança



“A dança para mim é uma poesia,onde meus pés são a caneta e o salão,a folha de papel.”
(Valdeci de Sousa, dançarino)


Um levantar de um pé, um rodopio,... Um tocar de corpos. Expressão... A dança é uma arte, a minha arte. A dança é uma paixão sublime, a minha paixão sublime... A dança é um sonho, o meu sonho...
Pisar um palco é um misto de emoções e sensações... Aquele tremor que percorre o meu corpo todo quando subo a um palco... Ver os rostos do público, ansiosos por um movimento,... Por um olhar, toque, contacto ...
A dança expressa o que eu sinto através de um simples movimento e ritmo. O meu corpo é o espelho do que sinto...
É a forma de expressão mais eloquente, mais bela, mais instintiva e rica...
Ao ouvir aquela musiquinha, aquele ritmo que me embala, algo me impele a... a logo bater o pezinho...
O meu sonho é poder voltar a dançar livre e orgulhosa. Esquecer por um instante a dor intensa que sinto. Esquecer e ignorar...
Não tenho medo de cair, perder o equilíbrio. Voltarei a levantar, apanhar o ritmo e começar de novo.
Sentir a liberdade por uns minutos. Tentar exprimir sentimentos que nem julgava existir.
Esquecer a dor que sinto. Esquecer este desimpedimento.
Libertar esta tensão...
Sentir a liberdade por meros minutos. Soltar as minhas emoções.
Se cair, sei que valeu a pena, mesmo tendo sido por míseros minutos...
Mas até quando me contentarei com pequenos movimentos, gestos controlados? Sempre temendo uma nova queda. Sempre com medo. Só ouvindo a dor...
Gostaria de despertar estas energias adormecidas pela constante dor. Criar movimentos ritmados vindos de um sentimento interior.
Movimentos incessantes inesgotáveis metáforas de realidades da minha própria imaginação.
O obstáculo não é estas quatro paredes. O que me sufoca é esta dor latejante.
Sinto que estou a deixá-la roubar-me o sonho, a controlar-me a alma, a cortar-me as asas...
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Esta não sou eu...
Agarrando-me ao passado. À espera de algum retorno. Chorando por algo que talvez não poderei ter de volta.
É hora de sair desta inércia.
Desisti de tentar consertar o irreparável.
Não é possível encontrar solução para algo sem conserto.
Sei que fui eu o catalisador do desastre.



30-03-2009

Ermelinda Silva

quarta-feira, 25 de março de 2009



Vejo no teu olhar a verdade reprimida.
Um pedido de socorro.
Á procura do sorriso...
Á procura da metade perfeita,
Do melhor de mim.

Verdade



Não queres ouvir a verdade presa nos meus lábios? Pronta para esmagar o teu mundo.
Não consigo conter as palavras mesmo sabendo o quão devastadoras poderão ser para ti.
Mas...
Devo deixá-las para mim? Mentir-te enquanto te olho nos olhos?
Não consigo mentir. Fazer o mesmo que tu. Não estaria a ser verdadeira comigo mesma.
Mas não te consigo magoar... Olhar para os teus olhos e ver a mesma tristeza que viste nos meus. Ver que a dor e mágoa te sufoca o peito.
Não te consigo magoar...
Não te quero magoar...
Devolver-te a dor e tristeza não me dá prazer. Simplesmente não torna a minha dor mais pequena.

A vida é uma peça de teatro



A vida é uma peça de teatro, o último suspiro equivale ao fecho da cortina… Mas será que receberás palmas pelo teu acto?
Não passamos todos de actores contratados. Conduzidos por um tresloucado director de cena. Actuando num louco e frenético enredo. Contracenando com desvairadas personagens. És tu o actor principal? Ao longo da peça tentaremos levar o público em êxtase, tentando roubar o protagonismo, tentando ter por parte do público um olhar de apreço pelo nosso desempenho...
Em que tipo de peça te enquadras? Numa tragédia? Numa comédia? Num drama satírico?
O primeiro “Acto” acabou, a infância.
O segundo “Acto” ainda corre, a vida adulta, o clímax da acção.
O terceiro “Acto”, prefiro ignorá-lo, ainda existem muitas cenas até lá. Muitos risos, lágrimas, olhares vazios, olhares de amor, sofrimento, drama, gargalhadas...
Se no momento do fecho da cortina não ouvir as devidas palmas não desanimarei, a minha actuação não foi em vão.
Ermelinda Silva

quinta-feira, 12 de março de 2009

Prezo a amizade.
Prezo o sentimento que nos une a um amigo.
Prezo a ligação que sentimos.
O que fazer quando a pessoa a quem demos amizade nos desilude?
O que fazer quando o que sentimos não é verdadeiramente partilhado?
O que fazer quando essa ligação é cortada?
Seguir em frente e esquecer?
Perdoar?
Não consigo... É demasiado difícil,... demasiado falso.
Gostaria poder perdoar-te pelo que passou.
Gostaria poder perdoar-te pelo que me fizeste passar.
Gostaria poder perdoar a magóa e a dor que me fizeste sentir.
Gostaria poder perdoar-te pelas lágrimas que me fizeste deitar.
Peço-te apenas desculpas, mas é dificil conseguilo.


Ermelinda Silva

terça-feira, 3 de março de 2009

Vida




É incrível como a vida é tão efémera, tão curta.
É incrível como a infância depressa passa e a idade adulta rápido chega. A uma velocidade supersónica.
Sei que não ficarei jovem para sempre mas esperava apenas que isso demora-se ainda algum tempo.
Incomoda-me a ideia de velhice. Não porque com a velhice vem as rugas, mas antes pelo facto de vir a morte. A minha morte e possivelmente de quem mais amo.
Não consigo lidar com essa ideia.
Adoraria poder ignorar esse pensamento.
É algo inevitável...
Podermos apenas tentar aproveitar cada momento, cada instante.
Amar, aprender...
Viver, sobreviver...

Ermelinda Silva


Estamos todos em guerra connosco próprios... é essa a verdade do ser humano.
Basta-nos é decidir o lado em que nos encontramos.
Dito assim parece fácil...
Lutar connosco próprios procurando a vitória: descobrir o eu interior.
Parece fácil...
Será que consigo? Entrar na minha própria mente e descobrir o que realmente sou? Alguma vez descobrirei?
Quem sou? O que faço aqui?
É normal não saber isso?
Será este o sentido da vida? O porquê de estarmos aqui?
Nascemos para tentarmos descobrir-nos?
Será? Acho que é uma busca inútil, sem fundamento... No fim, no último súspiro decerto que continuarei na ignorância.
Mas,... isso não é importante.
Prefiro a dúvida á sabedoria. Ao duvidar já estou a um passo de chegar à verdade. Não me interessa ser detentora dela...
Não finjo humildade. Confesso, essa palavra simplesmente não combina comigo.




Ermelinda Silva





Sinto-me só. Quero estar só.
Sinto-me isolada, sem ninguem.
Quero-te,...
Sinto-te/Não te sinto.
Vejo-te ao longe. Pressinto-te...
Escapas-me ao mesmo tempo que te tento agarrar...
Não me magoes... Não me magoes mais.
Não sou feliz, não me sinto mais feliz.
Não consigo fingir, não quero fingir.
Estás longe... Não te pressinto, não te vejo...
Não quero amo-te banais. Aliás não quero nenhuns "amo-te". Só quero apenas um preciso de ti,... Um: não vais embora. Confuso? Eu também!


01-12-2008
Ermelinda Silva

A mentira



A mentira...
A mentira é um disfarce!... Um tubo de escape! Onde nos refugiamos...
Mas poque é que mentimos?
Simplesmente porque a mentira dói menos que a verdade. A nós e aos que nos rodeiam.
Mentimos aos que nos rodeiam mas também a nós próprios. Qual destas duas mentiras é a pior. Aquela a que dizemos aos outros? Ou aquela que contamos a nós próprios?
Qual será o limite da mentira? Saberemos? Ou simplesmente devemos ignorá-lo? Será que existe limite?
O mundo não seria muito melhor se simplesmente não houvesse mentiras?
É fácil! O mundo não é simples. Aliás é bem complexo...
Por isso é melhor fazer o mais acertado e simplesmente deixar de tentar percebê-lo. Perceber o mundo, perceber a sua loucura e perceber as pessoas que nele habitam...

Se, se, se, se, se...
É melhor se não ir por ai e pousar a caneta...
Ermelinda Silva