domingo, 16 de agosto de 2009

Olha para mim, mente-me.
Deixa-me feliz por um mero segundo.
Diz-me que sou a tal.
Põe-me um sorriso no rosto.
Não quero ser esmagada pela verdade, pela tua verdade…
Deixa-me assim, enganada e feliz.
Feliz e enganada.


Satisfação momentânea.


Olha para mim, continua a mentir-me.
Diz-me que sou a tal.
Põe-me um fugaz sorriso no rosto.
Ainda não consigo ouvir a verdade.
Deixa-me assim, enganada e satisfeita.
Satisfeita e enganada.


A minha ânsia por felicidade supera o meu desejo de sair deste círculo sem fim de mentiras.
Porque suas?
Vontade de abandonar tudo?


O meu desejo de sair deste círculo sem fim não iguala a minha necessidade de uma vida sem ti.


Quero-te por querer.
Olho para ti e minto.
Deixo-te confuso.
Digo-te que és o tal.
Dás-me o sorriso que quero receber,… O teu olhar trai-te.


Obsessão sem fim.
A minha necessidade de uma vida sem ti é tão mais fraca que a minha vontade de te prender a mim.


Confesso, estou viciada nas tuas mentiras.
Viciada nas tuas tentativas frustradas para que não note a verdade.
Que deleite.
Preciso de mais.
Mais mentiras, mais enganos.
É o teu castigo.
Que deleite.


É a dura realidade.
A tristeza humana.

Delicio-me com o teu pesar, com a tua tristeza.
Alimento-me deles.

Não me consigo cansar.


É a dura realidade.
A tristeza humana.


Não penses que não lamento ser a causa da tua infelicidade.
Só quero que pagues a tua penitência.
Até quando?
Até não sentir esta ânsia por mais.
Até ao dia em que acorde e que queira ansiosamente sair deste círculo sem fim.
Até ao dia em que acorde e que perceba que existe vida sem ti.
Até ao dia em que acorde e não sinta a necessidade de te prender a mim.


É a dura realidade.
A tristeza humana.
A necessidade de sofrimento alheio.


Sorrio, os meus olhos estão tão pesados e cansados…


Confesso, começo a fartar-me destes jogos intermináveis.
Estou preparada para te conceder a libertação.
Preparada para conceder a minha própria libertação.


Tenho o corpo tão cansado e abatido…
Estou ansiosa por sair deste círculo.
Sim, poderá existir vida sem ti.
Estou………………………………………………………………





16 de Agosto de 2009

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